Nos últimos dias, notícias e mensagens alarmantes circularam nas redes sociais afirmando que a Receita Federal estaria “apertando o cerco” contra dízimos e ofertas recebidos via PIX. O assunto gerou preocupação entre fiéis, líderes religiosos e instituições cristãs em todo o país. Mas, afinal, o que é fato e o que é desinformação?
O Portal Fonte Viva foi apurar as informações oficiais e esclarecer, de forma responsável, o que realmente está acontecendo.
PIX não é taxado e não há imposto sobre dízimos
A primeira e mais importante informação: não existe cobrança de imposto, taxa ou tributo sobre transações via PIX, sejam elas doações, dízimos, ofertas ou qualquer outro tipo de transferência. A própria Receita Federal já esclareceu que o PIX continua gratuito para pessoas físicas e que não há criação de novos impostos sobre movimentação financeira, algo que, inclusive, é vedado pela Constituição Federal.
Portanto, a ideia de que dízimos enviados por PIX estariam sendo automaticamente tributados é falsa.
O que motivou o boato do “cerco” da Receita Federal
A confusão teve origem na atualização de normas de fiscalização financeira, em vigor a partir de 2025, que ampliam o envio de dados consolidados de movimentações financeiras por bancos, fintechs e instituições de pagamento à Receita Federal. Essa prática, no entanto, não é nova e não significa monitoramento individual de cada transação.
O objetivo da Receita é combater crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, sonegação e fraudes, utilizando informações gerais de movimentação — sem acesso ao conteúdo, à finalidade ou à identidade detalhada de cada pagamento específico.
Em outras palavras, a Receita não sabe se um PIX foi um dízimo, uma compra, um presente ou um pagamento de serviço.
Fake news e golpes preocupam autoridades
A desinformação abriu espaço para golpes. Criminosos passaram a enviar mensagens por WhatsApp, SMS e e-mail se passando pela Receita Federal, cobrando supostas “taxas sobre PIX” ou ameaçando bloqueio de CPF e CNPJ.
É importante reforçar: a Receita Federal não envia cobranças por redes sociais ou aplicativos de mensagem. Qualquer comunicação oficial ocorre exclusivamente pelos canais oficiais do governo.
E as igrejas? O que muda na prática
Para as igrejas e instituições religiosas, nada muda do ponto de vista tributário. Igrejas continuam tendo imunidade tributária garantida pela Constituição, desde que cumpram os requisitos legais.
O que permanece sendo necessário — e agora ganha ainda mais relevância — é a organização e transparência contábil. Independentemente de o dízimo ser recebido em dinheiro, PIX ou transferência bancária, ele deve ser registrado corretamente na contabilidade da instituição.
Orientação aos líderes religiosos
Especialistas recomendam que líderes e administradores de igrejas observem alguns cuidados básicos:
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Manter contabilidade regular e organizada
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Registrar corretamente dízimos, ofertas e doações
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Utilizar contas bancárias em nome da instituição
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Cumprir as obrigações acessórias exigidas por lei
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Contar com o apoio de contador ou assessoria especializada
Essas práticas não têm relação com cobrança de imposto sobre PIX, mas sim com boa gestão, legalidade e testemunho de transparência, princípios coerentes com os valores cristãos.
Conclusão
Não há perseguição fiscal às igrejas, nem tributação de dízimos via PIX. O que existe é uma onda de fake news, que mistura mudanças técnicas na fiscalização com informações distorcidas, gerando medo desnecessário.
O alerta que fica é duplo: cuidado com golpes e compromisso com a boa administração. Informação correta e responsabilidade são ferramentas essenciais para proteger a igreja e fortalecer a confiança dos fiéis.
O Portal Fonte Viva segue acompanhando o tema para manter líderes e comunidades bem informados, com verdade, clareza e fé.

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