O Parque Terra Prometida, em construção em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, voltou ao centro do debate público após lideranças evangélicas compararem o futuro complexo a grandes espaços de eventos da cidade, como o Sambódromo e o Rock in Rio. O projeto, desenvolvido pela Prefeitura do Rio, é inspirado na tradição judaico-cristã e foi planejado para receber atividades religiosas, culturais e de grande porte.
A comparação foi feita por representantes evangélicos ouvidos pela Folha de S.Paulo, que veem no parque um espaço capaz de receber grandes celebrações e eventos religiosos. A publicação também registrou críticas de representantes de outras tradições religiosas em relação ao projeto.
Parque será construído em área da antiga Cidade das Crianças
O empreendimento ocupa a área onde funcionava a antiga Cidade das Crianças Leonel Brizola, em Santa Cruz. A Prefeitura apresentou oficialmente o projeto e anunciou o início das obras em março de 2026.
Com aproximadamente 200 mil metros quadrados, o parque foi concebido como um novo polo de turismo religioso e cultural. Segundo a Prefeitura, a estrutura poderá receber, em média, 10 mil pessoas por dia, chegando a 70 mil visitantes em grandes eventos.
Entre os equipamentos previstos estão uma Nave Ecumênica, com capacidade para 7 mil pessoas, palco externo, esplanada, Centro de Convenções e o Cinema 360º Gênesis. O projeto também contempla estacionamento para aproximadamente 100 ônibus e melhorias no sistema viário do entorno.
Percurso terá referências a histórias bíblicas
A proposta do parque é apresentar elementos relacionados à tradição judaico-cristã por meio de ambientes temáticos. Entre os espaços previstos estão referências ao Jardim do Éden, aos Dez Mandamentos, ao Mar Vermelho, ao Monte Sinai e ao Monte das Oliveiras, além de áreas destinadas à contemplação, eventos e atividades religiosas.
Na apresentação oficial do projeto, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o espaço será voltado à fé judaico-cristã e destacou a presença de católicos, evangélicos e judeus entre os públicos que poderão utilizar o complexo.
A Prefeitura também apresenta o empreendimento como parte da estratégia de fortalecimento do turismo religioso no município.
Investimento será realizado em etapas
A implantação do Parque Terra Prometida ocorre por fases. A primeira envolve a preparação do terreno, incluindo demolição de estruturas remanescentes da antiga Cidade das Crianças, terraplanagem, melhorias nas vias de acesso e urbanização da Estrada do Guandu.
Essa etapa tem investimento estimado em aproximadamente R$ 14 milhões.
Já a segunda fase prevê a implantação das principais estruturas do complexo, incluindo a Nave Ecumênica, o Centro de Convenções, o Cinema 360º Gênesis, os espaços temáticos, uma alça de acesso à Avenida Brasil e o estacionamento para ônibus. Para essa etapa, a Prefeitura estima investimento de aproximadamente R$ 190 milhões.
Assim, é importante diferenciar os valores: R$ 14 milhões correspondem à primeira etapa, enquanto R$ 190 milhões são estimados para a etapa seguinte.
Projeto provoca debate sobre diversidade religiosa
Apesar do apoio de lideranças evangélicas, o parque também provoca discussões sobre diversidade religiosa e laicidade do Estado.
Representantes de religiões de matriz africana ouvidos pela Folha criticaram a iniciativa e questionaram a utilização de recursos públicos em um equipamento inspirado especificamente em uma tradição religiosa. Entre as reivindicações apresentadas está a criação de espaços públicos destinados também a outras manifestações religiosas.
A Prefeitura afirma, por outro lado, que mantém compromisso com a liberdade de culto, o Estado laico e a pluralidade religiosa, defendendo que o espaço poderá atender diferentes públicos e manifestações.
Comparação não significa que parque será um “novo Rock in Rio”
A comparação feita pelas lideranças evangélicas deve ser entendida como uma avaliação sobre a capacidade e o potencial de realização de grandes eventos, e não como uma afirmação de que o Parque Terra Prometida terá a mesma função ou dimensão do Rock in Rio.
A capacidade projetada de até 70 mil pessoas em grandes eventos ajuda a explicar a analogia. O projeto, entretanto, tem finalidade própria e foi concebido pela Prefeitura como um equipamento de turismo religioso, cultural e de eventos.
Com as obras em andamento, o Parque Terra Prometida deverá se tornar um novo espaço de grandes eventos na Zona Oeste do Rio e, ao mesmo tempo, permanecer no centro de um debate sobre turismo religioso, uso de espaços públicos, liberdade religiosa e pluralidade cultural.
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