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Segunda-feira, 07 de Setembro 2026
CEARÁ

Pesquisa no Ceará desenvolve extrato de murici com potencial anti-inflamatório

Estudo da Uece e da Unifor investiga folhas da planta tradicional dos Tremembé para possível uso em dores e inflamações gastrointestinais

Portal Fonte Viva
Por Portal Fonte Viva
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Pesquisa no Ceará desenvolve extrato de murici com potencial anti-inflamatório
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Pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade de Fortaleza (Unifor) desenvolveram uma composição a partir do extrato das folhas do murici (Byrsonima crassifolia), planta presente na alimentação e nos saberes tradicionais de comunidades indígenas do Ceará. Os primeiros estudos apontaram propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antioxidantes, além de baixa toxicidade em testes pré-clínicos realizados com peixes-zebra.

A pesquisa tem como objetivo inicial desenvolver um possível fitoterápico para dores abdominais e inflamações do sistema gastrointestinal. O trabalho ainda está em fase pré-clínica e não significa que o produto já seja um medicamento disponível para pacientes.

A equipe também protocolou junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um pedido de patente da tecnologia. O processo ainda está em análise e, portanto, não representa uma patente definitivamente concedida.

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Pesquisa une ciência e conhecimento tradicional

A investigação começou a partir do contato dos pesquisadores com o povo Tremembé da Barra do Mundaú, em Itapipoca, no litoral oeste do Ceará. A comunidade mantém uma relação tradicional com o murici e realiza anualmente a Festa do Murici e do Batiputá, relacionada à colheita dos frutos e à preservação de práticas culturais.

O conhecimento compartilhado pela comunidade levou os pesquisadores a ampliar a investigação para outras partes da planta. Embora o fruto já fosse utilizado tradicionalmente, a equipe passou a estudar também as folhas e outras estruturas do murici em busca de possíveis propriedades farmacológicas.

A pesquisa reúne profissionais do Laboratório de Química de Produtos Naturais da Uece e do Núcleo de Biologia Experimental da Unifor. Enquanto a Uece atua na investigação e caracterização dos compostos presentes na planta, a Unifor participa dos estudos farmacológicos e de segurança.

Os primeiros resultados foram obtidos com o uso do zebrafish (Danio rerio), modelo experimental utilizado em pesquisas biomédicas. Os testes indicaram atividade anti-inflamatória e analgésica do extrato, além de baixa toxicidade nas condições avaliadas.

Potencial contra inflamações, mas sem comprovação contra o câncer

A pesquisa ganhou repercussão por causa da relação entre processos inflamatórios persistentes e diferentes doenças. Segundo os pesquisadores, os compostos estudados podem futuramente motivar investigações sobre outras condições relacionadas à inflamação crônica, incluindo alguns tipos de câncer.

Isso, porém, não significa que o murici já seja um tratamento contra o câncer.

Até o momento, os estudos estão concentrados principalmente no potencial do extrato para dor e inflamação gastrointestinal. Os resultados relacionados a outras doenças representam uma possibilidade para pesquisas futuras, e não uma indicação terapêutica comprovada.

Essa distinção é importante porque a publicação analisada apresenta a pesquisa como um “remédio” com potencial contra inflamações ligadas ao câncer. A informação precisa ser contextualizada: trata-se de uma tecnologia experimental em desenvolvimento, e não de um medicamento aprovado para tratar câncer ou outras doenças em seres humanos.

Próximas etapas ainda serão necessárias

Os estudos começaram em fevereiro de 2025 e continuam envolvendo etapas como padronização das dosagens, caracterização química do extrato e novos estudos pré-clínicos. Os experimentos com zebrafish representam uma etapa inicial desse processo.

Antes de uma eventual utilização em seres humanos, serão necessários novos estudos para avaliar de maneira mais ampla a segurança e a eficácia da substância. Posteriormente, caso os resultados sejam favoráveis, poderão ser realizados ensaios clínicos em humanos e, somente após as etapas regulatórias correspondentes, poderia haver uma eventual transformação da tecnologia em produto terapêutico.

A pesquisa, entretanto, já representa uma aproximação entre biodiversidade cearense, conhecimento tradicional indígena e ciência, mostrando como espécies da Caatinga podem servir de ponto de partida para novas investigações na área da saúde.

FONTE/CRÉDITOS: Universidade Estadual do Ceará (Uece); Universidade de Fortaleza (Unifor); informações sobre o desenvolvimento da pesquisa e pedido de patente.
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