Brasília – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tornou públicos, na quarta-feira (14), os nomes de igrejas e líderes religiosos que constam em requerimentos apresentados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em meio a um debate intenso com lideranças evangélicas.
A divulgação aconteceu após cobrança pública do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que classificou como “linguaruda” a senadora por mencionar o envolvimento de entidades religiosas sem apresentar nomes ou documentos à população. Em resposta, Damares publicou uma lista oficial com igrejas e pastores citados nos requerimentos da CPMI, defendendo a transparência do processo e afirmando que os indícios estão em documentos oficiais analisados pela comissão parlamentar.
“A menção aos nomes não representa condenação prévia, mas faz parte do rito investigativo, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório”, esclareceu Damares ao justificar a divulgação dos documentos, em discurso repercutido em diversas mídias.
Contexto da investigação
A CPMI foi instaurada para investigar um amplo esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS — um escândalo que vem ganhando cada vez mais atenção nacional e que, segundo parlamentares, pode envolver desde uso indevido de dados pessoais até associações que atuam de forma irregular para obter vantagens financeiras.
Desde outubro de 2025, a comissão tem ouvido depoimentos de ex-dirigentes de associações envolvidas nos indícios de irregularidades e avançado na análise de documentos de inteligência financeira e da Receita Federal.
Embate com lideranças evangélicas
A polêmica ganhou força após declaração de Damares em que afirmou haver “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos no esquema, gerando forte reação no meio religioso. Em vídeo publicado nas redes sociais, Malafaia criticou a parlamentar por não apresentar nomes ou provas, classificando a acusação como irresponsável.
Em resposta, Damares divulgou o documento oficial com requerimentos da CPMI que mencionam igrejas e pastores, ressaltando que a comissão atua de forma técnica e com base em evidências coletadas até o momento. Segundo ela, a divulgação visa dar transparência às apurações e fortalecer a confiança da sociedade no trabalho do colegiado.
Lista divulgada pela senadora — Nota na íntegra
➡️ Igrejas citadas na CPMI (com pedidos de transferência de sigilo):
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Adoração Church — alvo de pedido de quebra de sigilo;
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Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo — alvo de pedido de quebra de sigilo;
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Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) — alvo de pedido de quebra de sigilo;
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Igreja Evangélica Campo de Anatote — alvo de pedido de quebra de sigilo.
➡️ Pastores e líderes mencionados:
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Cesar Belucci do Nascimento — convidado a comparecer à CPMI;
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André Machado Valadão — convidado e alvo de pedido de quebra de sigilo;
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Fabiano Campos Zettel — convidado a comparecer à CPMI;
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André Fernandes — convidado a comparecer à CPMI.
💬 Observação: Fabiano Campos Zettel, citado na lista, foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, uma investigação da Polícia Federal relacionada à mesma rede de apurações, mas foi liberado no mesmo dia. A defesa dele declarou que suas atividades são lícitas e negou qualquer ligação com irregularidades apontadas nas investigações.
O que dizem os envolvidos
Após a divulgação, o pastor André Valadão (Igreja Batista da Lagoinha) publicou nota afirmando que não há evidências de envolvimento direto da instituição em práticas irregulares relacionadas à CPMI ou à Operação Compliance Zero, reafirmando o compromisso da igreja com a legalidade e transparência.
Malafaia, por sua vez, intensificou as críticas contra Damares nas redes sociais, repetindo o pedido de que a parlamentar forneça provas concretas e questionando a forma como os nomes foram divulgados, classificando a ação como “mentirosa” e “cínica”.
Próximos passos da CPMI
A CPMI continua seus trabalhos com análise de documentos, oitivas de pessoas citadas e verbalizações de requerimentos. A comissão ainda não chegou a conclusões sobre a culpa ou inocência de qualquer igreja ou líder mencionado, reforçando que as apurações seguem em curso e que são parte do processo constitucional de investigação e coleta de provas.
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