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Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
OPINIÃO VIVA

Endometriose: quando a dor de uma mulher precisa deixar de ser tratada como algo normal

Em 13 de março, Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, a reflexão é sobre dor, diagnóstico, cuidado e a responsabilidade de ouvir quem sofre.

Marcos Rogério
Por Marcos Rogério
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Endometriose: quando a dor de uma mulher precisa deixar de ser tratada como algo normal
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Em 13 de março, Dia Nacional de Luta contra a Endometriose e durante a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose, uma pergunta merece ser feita para além dos consultórios: quantas mulheres aprenderam a chamar de normal uma dor que deveria ter sido investigada? A data foi instituída pela Lei nº 14.324/2022 justamente para ampliar a informação, estimular o diagnóstico precoce e fortalecer o cuidado às mulheres com endometriose.

Talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de sofrimento: sentir dor, adaptar a própria vida a ela e, depois de algum tempo, acreditar que não existe outra possibilidade.


 A GRANDE IDEIA

A endometriose não é simplesmente uma “cólica forte”.

É uma doença ginecológica crônica que pode provocar dor intensa e comprometer a qualidade de vida. Também pode estar associada à infertilidade. Segundo o ginecologista Dr. Ricardo de Almeida Quintairos, presidente da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da FEBRASGO, sintomas como dor pélvica e infertilidade devem levantar a suspeita clínica e conduzir à investigação.

E existe uma diferença enorme entre conviver com uma dor e descobrir por que ela existe.


 CONTEXTUALIZAÇÃO

A endometriose ocorre quando tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora da cavidade uterina. A doença pode atingir diferentes regiões e apresentar manifestações variadas.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • cólicas menstruais intensas;
  • dor pélvica;
  • dor durante as relações sexuais;
  • alterações intestinais ou urinárias associadas ao ciclo;
  • dificuldade para engravidar.

A investigação pode envolver avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassonografia especializada e ressonância magnética direcionada. A FEBRASGO destaca, entretanto, que a suspeita clínica e a avaliação adequada da paciente continuam fundamentais.

Ou seja: tecnologia ajuda, mas começa antes dela uma coisa muito mais simples.

Escutar.


***

Imagine uma adolescente dizendo à mãe:

— Minha cólica dói demais.

A mãe responde:

— Eu também sentia. Toda mulher passa por isso.

A adolescente cresce.

Continua sentindo dor.

Começa a faltar ao trabalho.

Evita compromissos.

Talvez passe a evitar relações.

Anos depois, diante de dificuldades para engravidar ou de uma dor que já interfere profundamente na sua rotina, finalmente procura investigação.

Essa história é hipotética, mas o mecanismo que ela representa é real: a normalização da dor pode contribuir para que uma mulher demore a procurar avaliação adequada.

E talvez seja justamente aí que precisemos mudar nossa cultura.

Não devemos transformar toda cólica em suspeita de doença.

Mas também não devemos ensinar uma mulher a suportar indefinidamente uma dor incapacitante apenas porque ela acontece durante a menstruação.


 DESENVOLVIMENTO

A informação médica disponível em 2026 reforça a importância de reconhecer os sinais.

O Dr. Ricardo Quintairos destaca que a desinformação ainda é uma barreira importante ao diagnóstico precoce. A FEBRASGO também ressalta que a doença pode permanecer cercada de desconhecimento, atrasando a identificação e o início do cuidado.

Isso nos leva a outro ponto importante.

Quando falamos em naturais, vitaminas e suplementos, precisamos ter responsabilidade.

Uma mulher com endometriose pode buscar alimentação equilibrada, atividade física e outras estratégias de bem-estar como parte de um cuidado integral. Mas isso não significa que uma vitamina, um suplemento, um chá ou determinado alimento possa ser apresentado como cura da doença.

Não existe espaço para promessa milagrosa.

Endometriose exige avaliação individualizada e acompanhamento profissional.

A fé também não deve ser utilizada para substituir o cuidado médico.


 MOMENTO DA VIRADA

Talvez a pergunta não seja apenas:

“Como podemos tratar a endometriose?”

Existe outra pergunta anterior:

“Estamos ouvindo suficientemente as mulheres que dizem que estão sofrendo?”

Porque antes do exame existe uma história.

Antes do diagnóstico existe uma mulher.

Antes do tratamento existe alguém que precisou encontrar coragem para dizer:

“Isso não está normal para mim.”

E talvez o verdadeiro avanço comece justamente quando aprendemos a levar essa frase a sério.


 FUNDAMENTAÇÃO

A visão clínica dos especialistas reforça que a endometriose precisa ser investigada diante de sintomas compatíveis, especialmente quando existe dor pélvica e dificuldade para engravidar. A evolução dos exames de imagem ampliou as possibilidades diagnósticas, mas a avaliação clínica permanece fundamental.

A própria legislação brasileira, ao instituir o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, estabeleceu entre os objetivos da semana nacional orientar as mulheres a buscar diagnóstico precoce e tratamento integral e oportuno, além de democratizar informações sobre diagnóstico e tratamento.

Portanto, falar sobre endometriose não é incentivar autodiagnóstico.

É incentivar informação suficiente para que uma mulher saiba quando procurar ajuda.


 REFLEXÃO BÍBLICA

A Bíblia nos ensina que o sofrimento do outro não deve ser tratado com indiferença.

Há uma diferença entre simplesmente saber que alguém está sofrendo e decidir carregar parte desse peso.

Quando uma mulher relata uma dor que compromete sua vida, ouvi-la não é fraqueza. Demonstrar compaixão não significa assumir uma doença que não temos condições de diagnosticar. Significa reconhecer a dignidade daquela pessoa e não desprezar aquilo que ela está vivendo.

A fé cristã nos chama para perto do sofrimento humano.

Não para oferecer respostas fáceis.

Não para dizer que basta ter fé.

Não para substituir o médico.

Mas para lembrar que amar o próximo também significa prestar atenção quando ele sofre.

E, às vezes, cuidar começa com uma atitude aparentemente simples:

acreditar que a dor merece ser ouvida.


 VERSÍCULO MEMORÁVEL

“Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2

Esse versículo não explica clinicamente a endometriose — e não pretende fazê-lo.

Ele apresenta o princípio bíblico que orienta esta reflexão:

não somos chamados a ser indiferentes ao sofrimento de quem está ao nosso lado.


***

A endometriose precisa de informação, diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado.

Mas também precisa de algo que não aparece em nenhum exame:

escuta.

Uma mulher não deveria precisar sofrer durante anos para convencer alguém de que sua dor merece atenção.

Talvez março nos ensine justamente isso:

não transformar toda dor em doença, mas também não transformar toda dor em normalidade.

Entre uma coisa e outra existe a prudência de investigar.

Existe a responsabilidade de cuidar.

E existe a compaixão de ouvir.


 CONVITE À REFLEXÃO BÍBLICA

Gálatas nos convida a levar as cargas uns dos outros.

Então, fica uma pergunta:

quando alguém próximo de nós diz que está sofrendo, nós realmente paramos para ouvir — ou respondemos rapidamente que “isso é normal” porque não queremos nos envolver?

Talvez cuidar também seja isso:

perceber a dor que o outro já não consegue esconder e ajudá-lo a encontrar o caminho para o cuidado.

Uma Matéria Correlata com o editorial de saúde do Portal Fonte Viva | Março - LEIA AQUI


Coluna Opinião Viva
Por Marcos Rogério, diretor do Portal Rádio Fonte Viva

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FONTE/CRÉDITOS: Dr. Ricardo de Almeida Quintairos / FEBRASGO | FEBRASGO / Sociedade Brasileira de Endometriose | Bíblia Sagrada — Gálatas 6:2
Comentários:
Marcos Rogério

Publicado por:

Marcos Rogério

Radialista, comunicador e fundador da Rádio Fonte Viva e do Portal Rádio Fonte Viva. Há mais de 30 anos atua na comunicação, transformando experiências do rádio em reflexões sobre comportamento humano, relacionamentos, desenvolvimento pessoal e fé.

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