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ENTRE AFETOS E HISTÓRIAS

Permita-se Brilhar: quando Deus chama sua luz à existência

Reflexão de Márcia Morais Ávila mostra como a luz criada por Deus em Gênesis revela identidade, cura emocional e propósito para mulheres que desejam reencontrar sua essência.

Márcia Morais Ávila
Por Márcia Morais Ávila
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Permita-se Brilhar: quando Deus chama sua luz à existência
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Por Márcia Morais Ávila
Neuropsicanalista, especialista em Neurociência Afetiva e Psicologia dos Hábitos


 Permita-se Brilhar

"Yehi Or" (יְהִי אוֹר).

E assim Deus transformou o caos em vida.

Não poderia começar mais um texto da coluna Entre Afetos e Histórias sem trazer à existência aquilo que Deus deseja para cada uma de nós: mulheres que viveram e atravessaram situações difíceis ao longo da vida e que, muitas vezes, perderam a esperança de serem vistas ou, simplesmente, encontradas.

Falar de luz, para mim, é encantador, porque é nela que me reconheço todos os dias da minha vida.

Em alguns momentos, essa iluminação parece enfraquecer, mas a força dessa energia que arde dentro de mim reacende a vida criativa para a qual nasci.

É até um pouco poético começar uma escrita dessa forma.

Parece contraditório falar de luz em um tempo em que vivemos relações que escorrem por entre os dedos, tão frágeis e fluidas, como descreveu o filósofo Zygmunt Bauman ao falar da modernidade líquida.

Mas é justamente isso que desejo compartilhar nesta leitura: apesar de vivermos em meio ao caos dos sentimentos e das emoções mais sombrias, ainda podemos encontrar vida.

Vamos começar.


 Quando as sombras começam na infância

Na Psicanálise, ao estudar o desenvolvimento infantil, encontrei o psicanalista Sándor Ferenczi, que apresenta uma metáfora da luz para simbolizar as sombras construídas ao longo do desenvolvimento de uma pessoa.

Muitas vezes, essas sombras só são percebidas quando chegamos à fase da vida em que conseguimos sentir, com mais intensidade, a dor do próprio sofrimento, mesmo sem compreendê-lo completamente.

Ferenczi nos convida, como cuidadores, pais e adultos, a enxergarmos as dores e as queixas de uma criança a partir da maneira como ela as vive, e não sob a nossa própria ótica.

A sensibilidade dos pequenos grita quando eles são confrontados com uma realidade cruel: pessoas que deveriam cuidar e amar, mas que não escutam, ignoram, violentam e ferem a dignidade de um ser tão indefeso.

É nesse ambiente que muitas crianças passam a carregar uma culpa que jamais deveria lhes pertencer.

Aos poucos, tornam-se "pequenos adultos", escondendo sentimentos, assumindo responsabilidades precoces e suportando dores invisíveis — muitas vezes dentro da própria casa.

Crescem por fora, mas o caos permanece vivo dentro delas.

Confesso que esse texto me emocionou profundamente.

Talvez porque eu tenha sobrinhos.

Talvez porque também tenha sido uma criança que, apesar de muito amada e cuidada, sentia o peso da responsabilidade sobre os ombros.

Não escrevo isso como uma reclamação da minha infância.

Escrevo como alguém que compreendeu, ao longo da vida, o quanto a infância é uma fase decisiva da nossa história.

Só percebemos quantas partes de nós ficaram para trás quando nos tornamos adultos.

No meu caso, essa compreensão ganhou ainda mais sentido quando me tornei mulher... e, depois, esposa.


 A menina que continua pedindo para ser encontrada

Durante a nossa vida, carregamos fardos que não conseguimos suportar e, quando chega um determinado momento, acabamos descarregando tudo, muitas vezes, sobre quem mais amamos.

Muitas mulheres que me procuram na análise chegam com uma sobrecarga emocional muito grande para ser acolhida e compreendida.

E nem sempre esse peso está relacionado ao momento atual.

Na maioria das vezes, elas carregam consigo uma bagagem armazenada na infância, onde essa menina escondida continua gritando para ser encontrada.

Durante o processo terapêutico, essa criança é encontrada e, na Psicanálise, isso significa que a raiz do trauma que tanto a machucava finalmente foi localizada.

A partir desse momento, o tratamento segue em direção à elaboração daquele acontecimento que, por tanto tempo, permaneceu como uma sombra em sua vida.

Nesse processo, o resgate da memória afetiva é fundamental, porque compreender como funcionamos nos ajuda nesse caminho de descoberta, restauração e transformação.

Mas de nada vale vivermos sendo "sacudidos mentalmente" se não nos debruçarmos sobre o nosso interior.

É lá que se encontram as maiores riquezas da nossa vida, mesmo que ainda não as conheçamos.

Esse espaço interno, muitas vezes trancado a sete chaves, é o lugar onde conseguimos acessar o coração de Deus e nos deixar conduzir pela Sua vontade.


"Yehi Or": quando Deus chama a luz à existência

Voltemos ao início deste texto.

Quando comecei esta coluna, escrevi uma expressão muito conhecida do livro de Gênesis:

"Yehi Or" (יְהִי אוֹר).

Talvez, para muitas pessoas, ela represente apenas o conhecido "Haja Luz".

Mas, durante os meus estudos do hebraico bíblico, descobri algo que transformou completamente a maneira como passei a enxergar esse versículo.

O Pensar Hebraico nos ensina que as palavras carregam muito mais do que uma tradução literal.

Elas revelam identidade, propósito e movimento.

O texto original de Gênesis 1:3 diz:

יְהִי אוֹר
Yehî 'ôr
"Haja luz."

Logo em seguida, continua:

וַיְהִי־אוֹר
Vayehî 'ôr
"E houve luz."

Existe um detalhe linguístico profundamente significativo.

O verbo יְהִי (yehî) vem da raiz היה (hayah), que significa:

  • ser;
  • existir;
  • tornar-se;
  • vir à existência.

Ou seja, Deus não apenas acendeu uma luz.

Sua Palavra chamou a luz à existência.

É um verbo criador, capaz de fazer surgir aquilo que ainda não era percebido.

Outro detalhe importante é a palavra אוֹר ('ôr).

No pensamento hebraico, ela comunica:

  • vida;
  • revelação;
  • direção;
  • esperança;
  • manifestação da presença de Deus;
  • ordem sobre o caos.

Por isso, em Gênesis, a luz aparece antes mesmo da criação do sol e da lua.

Muitos estudiosos entendem que essa primeira luz simboliza justamente a manifestação da ordem, da vida e da presença divina rompendo o caos primordial.

Quando Deus diz "Yehi Or", Ele traz à existência aquilo que o caos escondia.

Da mesma forma, muitas mulheres vivem com sua identidade encoberta por experiências de rejeição, culpa, medo ou vergonha.

Essas sombras podem esconder, por um tempo, o brilho, mas nunca conseguem destruir a luz que Deus colocou dentro delas.


 Vocês são a luz do mundo

Existe ainda outro versículo que considero um paralelo maravilhoso, registrado em Mateus 5:14-16.

Em Gênesis, Deus cria a luz.

Em Mateus, Jesus afirma:

"Vocês são a luz do mundo."

Perceba a profundidade dessa mudança.

Em Gênesis:

"Haja luz."

Em Mateus:

"Vocês são a luz do mundo."

Já não se trata de criar a luz.

Trata-se de permitir que ela seja vista.

(BOOM!)

Esse também é o propósito desta coluna.

Compartilhar aquilo que estudo para que, juntas, possamos sair desse labirinto de confusões que tantas vezes nos aprisiona simplesmente por falta de entendimento.

O mesmo Deus que chamou a luz à existência continua chamando pessoas para viverem a identidade que lhes concedeu, permitindo que Sua luz ilumine o caminho de outras pessoas.


 Uma palavra pode transformar um dia

Enquanto estudava esse tema e escrevia estas palavras, resolvi fazer uma pausa.

Gravei um áudio para o meu grupo terapêutico de mulheres, onde compartilho uma visão cristã sobre a vida, os afetos e o cuidado emocional.

Li esse versículo e conversei com elas sobre a importância de permitir-se brilhar.

Enquanto terminava este texto, já recebia alguns retornos emocionantes.

Apenas uma mensagem foi suficiente para tocar profundamente o coração de algumas delas.

Às vezes, uma simples palavra, quando carregada da presença e do poder de Deus, pode transformar completamente o dia de alguém.

Isso alegrou profundamente o meu coração.

Fez com que minhas mãos não parassem de escrever.

É maravilhoso descobrir que estamos exatamente no lugar onde Deus deseja que estejamos, fazendo aquilo para o qual fomos chamadas.

Eu escrevo...

para que você leia.

E, quem sabe, permita que essa luz também transforme a sua história.


 Um convite

Se este texto falou ao seu coração e você deseja caminhar conosco, será uma alegria ter você no nosso grupo gratuito de mulheres.

Lá compartilhamos reflexões, mensagens de esperança, momentos de oração e conversas que fortalecem a caminhada da fé, o cuidado emocional e o propósito de vida.

Se sentir esse desejo em seu coração, fale comigo pelo Instagram @marciamoraisavila.

Aproveite para me enviar uma mensagem contando o que este texto despertou em você.

Será uma alegria conhecer um pouco da sua história.


 Até a próxima

Agora, para finalizar este momento de devocional, que já se tornou um hábito semanal para mim, deixo a frase que ecoou durante todo o dia de hoje:

Permita-se ser luz. Permita-se brilhar!

Te vejo na próxima semana, aqui no Entre Afetos e Histórias, a coluna do Portal Rádio Fonte Viva.

Com carinho,

Márcia Morais Ávila

FONTE/CRÉDITOS: Coluna autoral enviada por Márcia Morais Ávila
Comentários:
Márcia Morais Ávila

Publicado por:

Márcia Morais Ávila

Sou Neuropsicanalista especialista em Neurociência Afetiva e a Psicologia dos Hábitos, Neuroeducadora Corporativa e Teóloga. Minha missão é contribuir para a saúde emocional e a comunicação afetiva de mulheres 40+, por meio do Olhar Integrativo dos...

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