Em 8 de agosto, Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, o alerta é para uma alteração que muitas vezes não provoca sintomas, mas pode participar do processo de formação de placas nas artérias e aumentar o risco cardiovascular. Na abordagem dos médicos de referência Dr. Lair Ribeiro e Dr. Dayan Siebra, alimentação e estilo de vida ocupam espaço importante na discussão sobre colesterol; ao mesmo tempo, o conhecimento atual mostra que genética, risco cardiovascular individual e, em determinados casos, tratamento medicamentoso também precisam entrar nessa equação.
Colesterol não é o vilão que a expressão popular criou
Durante anos, o colesterol foi apresentado ao público quase como um inimigo do organismo.
Mas ele não é.
O colesterol é necessário para funções importantes do corpo, participando da estrutura das células e da produção de hormônios e outras substâncias. O problema está principalmente no desequilíbrio das lipoproteínas que transportam colesterol pelo organismo, especialmente quando o LDL-C está elevado em pessoas com risco cardiovascular aumentado.
Por isso, dizer simplesmente “colesterol é ruim” é uma simplificação.
A pergunta mais importante é:
qual colesterol, em que quantidade e em qual contexto de risco?
O que o Dr. Lair Ribeiro coloca em discussão
Lair Ribeiro é uma das referências previstas pelo método editorial do Portal.
Em conteúdo público dedicado ao colesterol, LDL e HDL, o médico aborda justamente a relação entre essas diferentes frações e a saúde cardiovascular. (YouTube)
Sua abordagem dá importância à interpretação do perfil lipídico e aos hábitos que podem interferir no metabolismo.
É importante, porém, preservar a regra editorial:
a abordagem do profissional é apresentada como sua visão clínica, e não automaticamente como consenso científico.
O método determina expressamente essa distinção.
E o que o Dr. Dayan Siebra destaca?
Dayan Siebra também possui conteúdo específico sobre colesterol alto.
Em publicação dedicada ao assunto, o médico discute o que é colesterol, as diferenças entre HDL e LDL, alimentos e hábitos relacionados ao controle dos níveis sanguíneos e apresenta sua abordagem sobre estratégias naturais. (YouTube)
A matéria não transforma essas recomendações em prescrição individual.
Mas há uma contribuição importante para a discussão:
a alimentação precisa entrar na conversa sobre colesterol.
E isso não significa que uma única fruta, semente, chá ou suplemento seja capaz de resolver uma alteração lipídica.
O exame pode estar alterado sem você sentir nada
Esse é um dos aspectos mais importantes do colesterol elevado.
Ele geralmente não apresenta sintomas.
A pessoa pode trabalhar, caminhar, comer normalmente, dormir bem e se sentir perfeitamente saudável — e ainda assim apresentar níveis elevados de LDL-C.
Por isso, a avaliação depende de exames laboratoriais e da interpretação clínica.
Esse caráter silencioso ajuda a explicar por que prevenção e acompanhamento são tão importantes.
Nem todo colesterol alto é resultado de uma alimentação ruim
Existe uma tendência de colocar toda a responsabilidade na comida.
Mas isso também é simplificação.
A genética pode ter papel importante. A hipercolesterolemia familiar, por exemplo, pode produzir níveis muito elevados de LDL e não costuma ser controlada apenas com mudanças de estilo de vida.
Por isso, duas pessoas podem apresentar hábitos semelhantes e, ainda assim, ter perfis lipídicos bastante diferentes.
Alimentação importa. Genética também.
E é justamente por isso que o diagnóstico individual faz diferença.
O LDL ganhou ainda mais importância na avaliação atual
A atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose — 2025 reforça o LDL-C como alvo terapêutico primário e também incorpora o colesterol não-HDL, a apolipoproteína B e a lipoproteína(a) na avaliação do risco cardiovascular em situações apropriadas. As metas variam de acordo com a categoria de risco do paciente.
Isso muda uma ideia antiga:
não existe um único número de LDL que sirva igualmente para todas as pessoas.
Quanto maior o risco cardiovascular, mais rigorosa pode ser a meta definida pelo médico.
E a alimentação?
Aqui as abordagens dos profissionais de referência encontram uma questão que também aparece nas recomendações atuais:
o padrão alimentar importa.
Uma alimentação baseada predominantemente em alimentos in natura ou minimamente processados, com presença de vegetais, frutas, leguminosas, fibras e fontes adequadas de gorduras, pode fazer parte de uma estratégia de saúde cardiovascular.
Ao mesmo tempo, reduzir o excesso de gorduras saturadas e evitar gorduras trans continua sendo relevante.
Mas não é necessário transformar a alimentação em uma lista de “alimentos proibidos”.
A qualidade da rotina é mais importante do que demonizar um alimento isolado.
E os naturais, vitaminas e suplementos?
É justamente aqui que o leitor precisa de mais cuidado.
Falar em “baixar o colesterol naturalmente” pode significar coisas muito diferentes.
Pode significar:
- melhorar a alimentação;
- aumentar atividade física;
- controlar o peso;
- reduzir determinados tipos de gordura;
- utilizar fibras na alimentação;
- ou utilizar algum suplemento ou composto específico.
São coisas diferentes.
O método editorial determina que naturais e suplementos sejam apresentados considerando finalidade, evidências, limitações, cuidados, contraindicações e possíveis interações.
E uma alteração importante no colesterol não deve ser tratada como simples questão de suplementação.
Quando o medicamento entra na conversa?
Esse é outro ponto que precisa escapar dos extremos.
Não é correto afirmar que toda pessoa com colesterol elevado precisa imediatamente de medicamento.
Mas também não é correto afirmar que medicamentos são desnecessários porque existe alimentação saudável.
A Diretriz Brasileira de 2025 estabelece tratamento baseado no risco cardiovascular e nos níveis lipídicos, podendo incluir medicamentos quando indicados.
A atualização europeia de 2025 também reforça uma estratégia baseada no risco para definir a intensidade da redução do LDL-C.
Portanto:
há situações em que mudar hábitos é fundamental; há situações em que o tratamento medicamentoso também é fundamental.
Uma coisa não precisa ser colocada contra a outra.
O colesterol pede acompanhamento, não medo
O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol não deveria produzir pânico.
Deveria produzir consciência.
Conhecer os números.
Entender o próprio risco.
Olhar para a alimentação.
Praticar atividade física.
Não fumar.
Controlar pressão e glicemia.
Avaliar histórico familiar.
E procurar acompanhamento profissional quando necessário.
Porque o colesterol alto pode ser silencioso.
Mas a prevenção não precisa ser.
ORIENTAÇÃO IMPORTANTE
Esta matéria tem caráter educativo e apresenta abordagens de profissionais de referência, contextualizadas por informações científicas e institucionais. Não substitui avaliação médica. Não interrompa medicamentos nem substitua tratamento prescrito por suplementos, alimentos, chás ou outras estratégias naturais.
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