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Sexta-feira, 17 de Julho 2026
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ENTRE AFETOS E HISTÓRIAS

Com quem você celebra as suas vitórias?

Descubra por que celebrar suas conquistas diante de Deus fortalece a alma e reduz a dependência da aprovação das pessoas, à luz da Bíblia e da neurociência.

Márcia Morais Ávila
Por Márcia Morais Ávila
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Com quem você celebra as suas vitórias?
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 Há vitórias que só Deus conhece

"Uau! Que maravilha! Estou muito feliz com o que aconteceu!"

Essas são algumas das expressões que costumamos dizer quando conquistamos algo importante. A alegria chega com tanta intensidade que sentimos vontade de contar imediatamente a alguém. Queremos compartilhar a notícia, dividir a emoção e encontrar, no olhar do outro, o mesmo entusiasmo que tomou conta de nós.

Mas nem sempre a nossa vitória encontra a companhia que esperávamos.

Há conquistas cercadas por abraços, palavras de incentivo e pessoas dispostas a celebrar conosco. Outras chegam silenciosamente. Depois de uma longa caminhada, olhamos ao redor e percebemos que não há quem compreenda a dimensão do que vencemos.

Então surge uma pergunta inevitável:

 Com quem compartilhamos as nossas conquistas?

Todos desejamos dividir as alegrias. Porém, nem sempre as pessoas celebram as nossas vitórias com a mesma intensidade com que celebramos as delas.

Talvez você já tenha vibrado sinceramente pela conquista de alguém. Mas, quando chegou a sua vez, encontrou silêncio, indiferença ou uma reação muito menor do que imaginava.

Então nasce outra pergunta:

 Quem valorizará a minha conquista tanto quanto eu gostaria?

A resposta pode não ser confortável.

Ninguém conseguirá atribuir exatamente o mesmo valor que você dá ao caminho que percorreu. Somente você conhece as renúncias, as lágrimas, os medos, as noites difíceis e os desafios enfrentados até chegar aqui.

Quando colocamos o valor das nossas conquistas exclusivamente nas mãos das pessoas, corremos o risco de transformar uma vitória em frustração.

Não podemos controlar a reação dos outros.


 Quando o reconhecimento se torna uma necessidade

O nosso padrão de recompensa é construído pela cultura, pela educação, pela família, pelas experiências afetivas e pela forma como aprendemos a interpretar o reconhecimento.

Muitas vezes crescemos acreditando que uma conquista só possui valor quando recebe elogios, aplausos, curtidas ou aprovação pública.

Sem perceber, começamos a medir o significado daquilo que realizamos pela reação das pessoas.

Entretanto, a Palavra de Deus apresenta outro fundamento:

"Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens." (Colossenses 3:23)

Essa é uma das chaves do padrão divino.

Quando fazemos algo para Deus, a ausência do aplauso não diminui o valor da conquista.


 Celebrar no secreto e honrar no público

Em certa ocasião, um homem chamou Jesus de "Bom Mestre".

Jesus respondeu:

"Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus." (Lucas 18:19)

Jesus direcionou aquele homem para a verdadeira fonte de toda bondade: Deus.

É também com Deus que precisamos aprender a celebrar as nossas vitórias.

Quando reconhecemos que Ele esteve presente durante toda a caminhada, aprendemos a lidar melhor com opiniões, críticas, silêncio e até com a ausência de reconhecimento.

Antes de esperar que alguém compreenda a dimensão da nossa conquista, podemos entrar no secreto e contar a Deus aquilo que Ele já conhece: o quanto foi difícil chegar até aqui.

"Mas, quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará." (Mateus 6:6)

No secreto não precisamos provar nada.

Podemos agradecer.

Podemos chorar.

Podemos descansar.

O Pai que acompanhou cada batalha também contempla cada vitória.

Celebrar com Deus não significa esconder aquilo que conquistamos.

Podemos testemunhar, compartilhar e honrar publicamente aqueles que caminharam conosco.

O cuidado está em não permitir que o reconhecimento humano determine o valor daquilo que Deus realizou em nossa vida.


 A neurociência e o sistema de recompensa

Do ponto de vista da neurociência, alcançar uma meta ativa o sistema de recompensa do cérebro.

A dopamina é um neurotransmissor responsável por processos relacionados à motivação, expectativa, aprendizagem, atenção e busca por recompensas.

Mais do que produzir prazer, ela impulsiona o ser humano a perseguir objetivos considerados importantes.

O problema surge quando condicionamos a satisfação da conquista apenas ao retorno externo: curtidas, elogios, comentários ou aplausos.

Quando essa resposta não acontece, podem surgir sentimentos de frustração, rejeição e vazio.

A vitória existe.

Mas a pessoa não consegue desfrutá-la porque o reconhecimento recebido ficou abaixo da expectativa criada.

E se a principal fonte de valor não estivesse do lado de fora?

"O Senhor é a minha porção; portanto, esperarei nele." (Lamentações 3:24)

Quando Deus se torna a nossa porção, a celebração deixa de depender da plateia.


 As conquistas e as memórias afetivas

Na perspectiva da Neuropsicanálise, a forma como vivenciamos as conquistas também pode estar relacionada às experiências emocionais da infância.

Quando uma criança cresce sem ser vista, incentivada ou valorizada, pode desenvolver uma busca constante por reconhecimento.

Cada conquista passa a carregar uma esperança silenciosa:

"Agora, finalmente, alguém perceberá o meu valor."

Nesse momento, já não buscamos apenas um elogio.

Buscamos reparar antigas ausências afetivas.

Por isso, quando o aplauso não chega, a dor pode ser muito maior do que a situação presente justificaria.

O silêncio atual desperta memórias antigas de invisibilidade, abandono ou desvalorização.

Reconhecer essa dinâmica não significa abandonar o desejo legítimo de compartilhar as alegrias.

Somos seres relacionais.

Precisamos de vínculos.

Significa apenas compreender que nenhuma resposta humana será capaz de preencher definitivamente todas as ausências da nossa história.

Existe um caminho mais seguro.

Acolher a própria trajetória.

Reconhecer o valor do processo vivido.

E ancorar a identidade no olhar de Deus, e não no aplauso do mundo.

Assim, podemos celebrar com quem deseja caminhar conosco, sem transformar essa presença em condição para reconhecer a nossa vitória.


 Para refletir

  • Com quem você tem compartilhado as suas vitórias?
  • A ausência de reconhecimento diminui o valor daquilo que você conquistou?
  • Você consegue celebrar diante de Deus antes de procurar a aprovação das pessoas?

Talvez a conquista não tenha encontrado a companhia que você esperava.

Ainda assim, ela não aconteceu na solidão.

Deus permaneceu presente durante todo o percurso.

"A mulher que aprende a celebrar com Deus nunca mais se sente completamente sozinha em suas vitórias."
Márcia Morais Ávila

Até a próxima edição da coluna Entre Afetos e Histórias.

Com carinho,

Márcia Morais Ávila

FONTE/CRÉDITOS: Coluna autoral enviada por Márcia Morais Ávila
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Márcia Morais Ávila

Publicado por:

Márcia Morais Ávila

Sou Neuropsicanalista especialista em Neurociência Afetiva e a Psicologia dos Hábitos, Neuroeducadora Corporativa e Teóloga. Minha missão é contribuir para a saúde emocional e a comunicação afetiva de mulheres 40+, por meio do Olhar Integrativo dos...

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