Márcia Morais Ávila
Neuropsicanalista, especialista em Neurociência Afetiva e Psicologia dos Hábitos
Existem histórias que permanecem guardadas durante anos, não porque lhes falte importância, mas porque ainda esperam o momento certo para serem compreendidas, ressignificadas e compartilhadas.
Algumas nascem da alegria; outras atravessam perdas, mudanças, recomeços e silêncios. Quando encontram sentido, deixam de pertencer apenas a quem as viveu e passam a alcançar outras vidas.
É com esse sentimento que apresentamos ao mundo a primeira edição do livro “Mulheres Visionárias”, uma coletânea construída por mulheres que decidiram transformar suas experiências em palavras, suas travessias em testemunhos e seus propósitos em legado.
O lançamento oficial acontecerá primeiramente no Brasil, no dia 26 de setembro de 2026, em Fortaleza, Ceará. Em breve, a obra também será apresentada em Portugal, especialmente nos Açores, estabelecendo uma ponte afetiva e cultural entre os dois países que fazem parte da minha história.
Quando histórias e propósitos se encontram
Este projeto nasceu de uma parceria muito especial entre mim e Vivianny Gildo, idealizadora do “Mulheres Visionárias”. Nossa caminhada profissional e afetiva permitiu que sonhos, experiências e propósitos se encontrassem.
A oportunidade que recebi da Vivianny possibilitou-me realizar uma das atividades de que mais gosto: escrever. Por meio dessa iniciativa, Vivianny reuniu histórias de diferentes mulheres, marcadas por experiências reais de vida e por testemunhos de força, fé, coragem, superação e esperança.
Cada capítulo possui uma identidade própria. São percursos de mulheres singulares que aceitaram abrir partes de suas histórias para mostrar que nenhuma experiência precisa terminar exatamente no lugar onde a dor começou.
Quando uma mulher encontra sentido para aquilo que viveu, sua história pode tornar-se direção para outras mulheres.
Um pouco de mim: quando o propósito ganha sentido
Minha participação está no capítulo 7, intitulado “Um pouco de mim: quando o propósito ganha sentido”.
Falar um pouco de mim não foi apenas recordar acontecimentos. Foi revisitar caminhos, reconhecer afetos, compreender escolhas e perceber como cada etapa colaborou para a construção da mulher e da profissional que sou hoje.
Este capítulo representa uma apresentação, mas também uma confirmação de tudo aquilo que realizo. Nele, compartilho como a minha trajetória começou, quais experiências formaram minha identidade e de que maneira os acontecimentos vividos foram ganhando significado ao longo do tempo.
Ao escrever, compreendi novamente que propósito não é apenas aquilo que pretendemos alcançar. Propósito também é a capacidade de olhar para trás e reconhecer que até os caminhos mais difíceis contribuíram para nos conduzir ao lugar onde hoje podemos servir, cuidar e inspirar.
Minha história atravessa a comunicação, a fé, a educação, a psicanálise, a neurociência afetiva e o cuidado com mulheres. Cada uma dessas áreas não surgiu isoladamente. Elas foram sendo tecidas pela vida, pelos encontros, pelas perdas, pelos recomeços e pela necessidade de compreender o ser humano para além daquilo que pode ser visto externamente.
Por isso, “Um pouco de mim” não é apenas um relato biográfico. É uma leitura afetiva de uma trajetória. É a expressão de como a história, quando acolhida e ressignificada, pode tornar-se conhecimento, serviço e missão.
Quando a história se transforma em legado
Ao escrever sobre mim, também escrevo para outras mulheres que, em algum momento, precisaram recomeçar.
Mulheres que sentiram medo, que tiveram de reconstruir sua identidade ou que ainda estão tentando compreender o sentido de determinadas experiências.
Minha história não pretende oferecer respostas prontas, mas afirmar que é possível continuar, amadurecer e transformar marcas em caminhos.
O livro “Mulheres Visionárias” nasce justamente desse encontro: mulheres que não negam suas histórias, mas escolhem dar-lhes um novo significado.
Mulheres que compreenderam que ser visionária não é prever todos os acontecimentos, e sim conseguir enxergar possibilidades mesmo quando o presente ainda parece incerto.
Apresentar esta primeira edição ao mundo é motivo de profunda gratidão.
Gratidão a Deus, que atribuiu sentido a cada etapa; à Vivianny Gildo, pela visão, parceria e condução deste projeto; às demais coautoras, pela coragem de compartilharem suas experiências; e a cada pessoa que receberá estas histórias com sensibilidade e respeito.
Primeiro, o Brasil acolhe oficialmente esta obra. Em breve, Portugal também conhecerá essas histórias.
Entre Fortaleza e os Açores, o livro atravessará fronteiras, mas levará consigo a mesma essência: lembrar que uma vida ressignificada pode tocar muitas outras vidas.
Que cada leitora encontre nestas páginas não apenas histórias de mulheres, mas reflexos de suas próprias travessias.
Que reconheça seus afetos, acolha seus processos e compreenda que sua história também possui valor.
Porque, quando o propósito ganha sentido, aquilo que vivemos deixa de ser apenas memória e transforma-se em legado.
Te vejo na próxima edição, aqui no Entre Afetos e Histórias, na coluna do Portal Fonte Viva.
Com carinho,
Entre Afetos e Histórias
Por Márcia Morais Ávila
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