Este texto foi originalmente escrito e publicado no meu site no ano passado. Hoje, decidi revisitá-lo e republicá-lo nesta coluna porque acredito que o valor de uma mensagem não se perde com o tempo.
Algumas histórias atravessam dias, meses e anos justamente porque continuam encontrando novos significados dentro de nós.
Republicar não é apenas repetir.
É reconhecer a longevidade de uma mensagem.
Talvez, quando uma história continua a tocar o nosso coração, seja porque ainda existe algo nela que precisa ser lembrado.
E esta é uma dessas histórias.
Tudo começou quando eu tinha apenas nove anos
Enquanto outras meninas brincavam de boneca, eu brincava de empreender.
Meu pai trabalhava em uma fábrica de bolsas e cintos e, das sobras de borracha e plástico, ajudava-me a criar pequenas pulseiras coloridas.
Eram simples.
Mas, para mim, eram verdadeiras joias.
Com os olhos cheios de sonhos, eu levava aquelas pulseiras para vender na escola. Às vezes, deixava algumas com a auxiliar do transporte escolar para oferecer durante o trajeto. Em outras ocasiões, batia de porta em porta na vizinhança.
Era uma aventura.
Sem perceber, um pequeno grande negócio já começava a nascer dentro de mim.
Os primeiros empreendimentos e os anos mais difíceis
O tempo passou.
Vieram novos sonhos, novos projetos e novas oportunidades.
Comecei a fazer pequenos trabalhos, dar aulas, criar artes e desenhar cartões de visita. Foi assim que nasceu minha primeira marca voltada às artes gráficas.
Era muito mais do que uma empresa.
Era o início da missão de imprimir sonhos.
Cada projeto representava a oportunidade de transformar a ideia de alguém em algo real, belo e significativo.
Mas, por trás das conquistas, também vieram os anos ásperos.
As lutas.
As dúvidas.
As dores.
Entre a fé e o medo, Deus resgatou-me da dor e conduziu-me novamente ao amor.
Quando a dor se transforma em joia
Foi justamente entre feridas cicatrizadas e outras ainda abertas que descobri meu lado mais humano.
Sim.
Algumas fissuras permanecem.
São lembranças das batalhas que um dia sangraram, mas que, com o passar do tempo, passaram a brilhar como cicatrizes de vitória.
Essas dores da alma transformaram-se em joias.
Joias reais.
Lapidadas pelo tempo, pela fé e pela graça de Deus.
Porque, apesar do sofrimento, um dia tudo passa.
O alicerce que sustentou a caminhada
Muitas pessoas passaram pela minha vida.
Algumas permaneceram.
Outras apenas cruzaram o caminho.
Houve também aquelas que conseguiram despertar o que havia de melhor em mim, mesmo sem compreender totalmente o valor disso.
Minha família, porém, sempre foi meu maior alicerce.
Foram meus pais e minhas irmãs que seguraram minhas mãos e enxugaram minhas lágrimas quando eu mais precisava.
Sou profundamente grata por tê-los ao meu lado.
Foi neles que encontrei força, fé e virtude para continuar quando tudo parecia desmoronar.
Foi ali que minha resiliência começou a ganhar forma.
O segredo da pérola
Um dia, olhando para trás, percebi que minha história parecia um colar de pérolas.
Cada pérola representava uma experiência.
Uma luta.
Uma superação.
Se eu resolvesse contar a história de cada uma delas, talvez este texto nunca terminasse.
Em certo momento, até comentei com uma amiga:
"A nossa vida daria um livro."
E talvez dê.
Na verdade... vai dar.
O lançamento já tem data marcada, mas essa história ficará para outra edição desta coluna.
Antes, quero compartilhar o verdadeiro segredo da pérola.
Como nasce uma pérola
Dentro de uma ostra, um elemento estranho invade seu interior.
Pode ser um grão de areia, uma impureza ou qualquer fragmento que provoque dor.
Para proteger-se, ela reage.
Camada após camada, envolve aquele incômodo com uma substância chamada nácar.
O que antes era sofrimento transforma-se em algo belo, precioso, raro e valioso.
Assim nasce uma pérola.
E percebi que Deus trabalha conosco da mesma maneira.
Ele permite que a dor nos alcance, não para nos destruir, mas para nos lapidar.
É justamente na forma como reagimos ao que nos fere que nasce aquilo que existe de mais belo dentro de nós.
Posso dizer que, ao longo da minha história, produzi lindas pérolas.
Construí colares que hoje se tornaram preciosos tesouros.
E novas pérolas continuam sendo formadas.
Novos colares continuam sendo criados.
Novas histórias continuam sendo escritas.
Do aprendizado ao propósito
Essa pedagogia divina — essa verdadeira escola da vida — ensinou-me a criar estratégias para superar desafios.
Foi a partir desse entendimento e do dom que Deus me concedeu que comecei a transformar aprendizado em propósito.
Aquela pequena ideia de empreendedorismo amadureceu.
Hoje posso afirmar que possuo uma marca que foi sendo reestruturada ao longo dos anos, com o propósito de analisar negócios com respeito, sensibilidade e visão estratégica, promovendo transformação e valorização no mercado empreendedor.
A verdadeira Joia Real
O sonho não podia parar.
Com toda a sensibilidade e talento da minha irmã, vejo hoje nascer uma artesã de peças preciosas.
Ela cria joias para mulheres elegantes, de bom gosto e, acima de tudo, carregadas de fé e amor.
Sinto-me honrada por, de alguma maneira, ter inspirado o início da sua caminhada empreendedora.
Com dedicação, ela transforma emoções em arte.
De pulseiras a bolsas.
De miçangas a pérolas.
Cada criação carrega significado.
Cada peça torna-se um presente de Deus na vida de alguém.
Essa é, para mim, a verdadeira Joia Real.
Aquela que nasce dentro do coração.
Moldada pelas mãos de Deus.
É o reflexo de uma jornada feita de lágrimas, mas também de amor, fé, força, sonhos, saúde, alegria, foco e tantas outras virtudes que eu jamais conseguiria descrever por completo.
(Risos.)
A pérola do doce de abóbora
E o doce de abóbora?
Ao final de cada dia, quando eu tinha apenas nove anos e já me sentia uma empreendedora de sucesso, corria até a mercearia para comprar um doce muito especial.
Era aquele famoso doce de abóbora em formato de coração, tão presente nas décadas passadas.
Era o meu prêmio.
O símbolo da conquista.
Uma memória afetiva que permanece viva até hoje.
Sempre que preciso voltar às minhas origens, lembro daquele pequeno coração de doce.
Naquela simplicidade, eu já aprendia três pilares que me acompanhariam por toda a vida:
O esforço.
A criação.
A recompensa.
Ali estava a minha joia.
A minha primeira pérola.
Entre afetos e histórias
Desejo que você também consiga produzir as suas próprias pérolas, com a certeza de que a dor não dura para sempre.
E, se ela demorar um pouco mais, talvez seja porque Deus ainda esteja construindo um lindo colar.
Camada por camada.
Pérola por pérola.
História por história.
Um dia, esse colar será revelado.
Fará parte da sua jornada.
Contará uma linda história repleta de afetos.
Porque algumas dores não escrevem o fim da nossa história.
Elas apenas se transformam em pérolas no caminho.
E, quando olhamos para trás, compreendemos que Deus já estava construindo, silenciosamente, um precioso colar.
Até a próxima edição da coluna Entre Afetos e Histórias, aqui no Portal Rádio Fonte Viva.
Com carinho,
Márcia Morais Ávila
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